Smartcar: a bordo dos carros do futuro já é possível agendar compromissos, ouvir audiolivros, pedir comida, reservar mesas em restaurante; e vem mais por aí…

fonte: Valor Econômico, 22/10/2021

Quase ninguém, hoje, imagina ter um celular só para fazer ligações. O aparelho passou por um profundo processo de transformação e, agora, também é usado para enviar mensagens instantâneas, navegar na internet, ver filmes, ouvir música, fazer transações bancárias. Serve até de lanterna. Em alguns anos, as pessoas terão a mesma sensação em relação ao carro.

À medida que evolui, o automóvel assume funções que o tornam muito mais que um meio de transporte. A bordo, já é possível agendar compromissos, ouvir audiolivros, pedir comida, reservar restaurante – e as transformações só começaram. É uma rota irreversível: o “smartcar” será uma extensão de onde moramos, trabalhamos e nos divertimos.

No futuro, um carro econômico e com bom desempenho não estará fazendo nada “além da sua obrigação”. Para manter o automóvel na posição de objeto de desejo, a indústria terá de se empenhar muito mais para atender às novas demandas do consumidor.

João Oliveira, diretor-geral da Volvo Car, em entrevista ao Valor Econômico

A Porsche planeja investir mais de €1 bilhão em dois alvos considerados essenciais: eletrificação e digitalização, sendo que este último ficará com 80% dos recursos,

Há sinais claros de que a tecnologia está se tornando determinante na hora de o consumidor escolher seu automóvel. Nos Estados Unidos, 55% das pessoas interessadas em trocar o carro afirmam levar esse fator em consideração, segundo levantamento da empresa de pesquisa GfK. Seis em cada dez compradores dão especial atenção à integração do veículo com

De maneira geral, para acessar seus aplicativos de dentro do carro, hoje, o consumidor precisa conectar seu smartphone ao automóvel por cabo USB ou espelhamento via Bluetooth. Para isso, usa o pacote de dados do celular.

Mas as montadoras já estão incluindo chips em seus veículos para fazer com que a conexão seja feita por intermédio do próprio automóvel. A Volvo começou a lançar modelos em que o usuário pode acessar todos os seus aplicativos sem precisar do smartphone. O carro sai com um pacote de dados ilimitado, sem custo adicional, durante um período de quatro anos.

A BMW já tem 65 mil carros conectados no Brasil e planeja chegar ao fim do ano com 70 mil. A empresa criou um sistema próprio, com recursos de navegação e concierge, que é atualizado a distância. A companhia arca com o custo do pacote de dados por três anos. A renovação pode ser feita diretamente com montadora.

Há pouco tempo, a General Motors e a Amazon anunciaram uma aliança tecnológica. Pelo acordo, o serviço de emergência OnStar, que a montadora já oferecia em seus veículos, poderá ser acionado por meio de qualquer dispositivo com a assistente Alexa, como celulares, TVs e computadores.

Com o avanço da inteligência artificial e do aprendizado de máquina, o carro será capaz de observar a rotina do condutor e se antecipar às suas necessidades.

A propaganda dos automóveis consagrou filmes publicitários de carros possantes percorrendo trilhas selvagens ou de homens charmosos estacionando à porta de lugares elegantes. A tecnologia está fazendo com que as montadoras se dirijam a um público mais diversificado.

O arsenal de inovações é enorme. A chave, por exemplo, passou a funcionar a distância. Nos modelos mais recentes, basta apertar um botão no painel para ligar o carro. O XC40, elétrico que acaba de ser lançado pela Volvo, dispensa até o botão. Para iniciar a viagem, basta acelerar. Ao chegar ao destino, é só sair do carro. O veículo “entende” que é hora de desligar”.

A indústria automobilística quer evitar, no entanto, que as novidades destruam a familiaridade do consumidor com um produto que ele conhece há décadas. Muitos equipamentos foram radicalmente alterados, mas preservam a aparência que tinham.

Em modelos esportivos da Audi, câmeras substituem os espelhos retrovisores externos, mas continuam no lugar de sempre. As imagens captadas são projetadas em telas embutidas na porta. No painel dos veículos, botões de comando que só existem na tela oferecem resistência tátil para o usuário ter a sensação de estar apertando um botão convencional. Até o barulho do motor, que desapareceu nos modelos elétricos, é recriado por um sistema de som para o motorista não perder a sensação de aventura.

É improvável, porém, que os veículos se transformem em aeronaves, como nos filmes de ficção científica. “A aparência dos automóveis é fruto de uma evolução gradual”, diz Johannes Roscheck, presidente da Audi do Brasil.

A maneira de comprar automóveis também mudou. Antes da disseminação da internet, o consumidor visitava, em média, cinco concessionárias até se decidir pela compra de um veículo. Agora faz pesquisas on-line e fecha negócio com menos de duas visitas; e ir à revenda é mais para ver o veículo escolhido.

“Made in Brazil”
O Brasil começa a ganhar relevância no desenvolvimento dos sistemas digitais dos carros. Há quatro anos, a equipe de engenharia da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP) criou uma plataforma de entretenimento e informação que hoje é usada em modelos produzidos pelo grupo em fábricas da Índia, Rússia e do México, entre outros lugares.

As novas demandas do consumidor são tão determinantes que estão modificando o perfil de profissionais que trabalham nas fábricas de carros. Na Volkswagen, além do desenvolvimento de softwares e equipamentos, a equipe do centro de conectividade, de 50 pessoas, se dedica a estudar como os proprietários de veículos usam a tecnologia.

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